Banco de Moçambique reduz taxa de juro para estimular crescimento

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O Banco de Moçambique anunciou esta semana uma redução da taxa de juro referencial de 17% para 15%, numa decisão que surpreendeu parte do mercado financeiro mas que o governador Rogério Zandamela justificou como necessária para estimular o crescimento económico num contexto de abrandamento da actividade produtiva no país.

A decisão foi tomada no âmbito da reunião ordinária do Comité de Política Monetária e surge após meses de pressão do sector empresarial, que tem reclamado do elevado custo do crédito como um dos principais obstáculos ao investimento privado em Moçambique. Segundo dados do próprio banco central, a taxa de juro média praticada pelos bancos comerciais no crédito às empresas ronda os 28%, um valor que muitos economistas consideram proibitivo para a maioria das pequenas e médias empresas.

“Esta decisão reflecte a nossa confiança na trajectória de estabilização da inflação e o nosso compromisso com o apoio ao crescimento económico sustentável”, afirmou Zandamela em conferência de imprensa realizada na sede do banco central em Maputo. A inflação anual em Moçambique situou-se em 8,3% em Dezembro de 2025, o valor mais baixo dos últimos quatro anos.

O sector empresarial reagiu com entusiasmo à medida. A Confederação das Associações Económicas de Moçambique emitiu um comunicado a elogiar a decisão e a apelar aos bancos comerciais para que transmitam a redução aos seus clientes de forma “rápida e integral”. Já os analistas financeiros alertam que o impacto real da medida dependerá da velocidade com que os bancos comerciais ajustarem as suas taxas de crédito.

O FMI, que mantém um programa de apoio financeiro activo com Moçambique, emitiu uma nota cautelosa, recordando que a redução das taxas de juro deve ser acompanhada de reformas estruturais para ter impacto duradouro. Entre as reformas prioritárias identificadas pela instituição estão a melhoria do ambiente de negócios, a redução da burocracia e o reforço do sistema judicial para protecção dos contratos comerciais. O próximo relatório de avaliação do programa está previsto para Março de 2026.

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