As receitas provenientes da exportação de gás natural liquefeito ultrapassaram pela primeira vez a fasquia de mil milhões de dólares em 2025, confirmando as previsões mais optimistas do Governo e representando um marco histórico para a economia moçambicana. Os dados, divulgados pelo Ministério dos Recursos Minerais e Energia, mostram que as exportações de GNL cresceram 34% face ao ano anterior, impulsionadas pela entrada em pleno funcionamento de novas instalações de liquefacção na província de Cabo Delgado.
O ministro Carlos Zacarias descreveu o resultado como “um ponto de viragem” para a economia nacional e anunciou que uma parte significativa das receitas será canalizada para o Fundo Soberano de Moçambique, criado em 2022 para gerir os rendimentos dos recursos naturais em benefício das gerações futuras. Segundo o ministro, o fundo já acumula activos no valor de 2,3 mil milhões de dólares.
No entanto, economistas e organizações da sociedade civil alertam para o paradoxo que caracteriza a situação de Moçambique: apesar das crescentes receitas do gás, cerca de 60% da população continua a viver abaixo da linha da pobreza. “O país está a ficar mais rico em termos macroeconómicos mas essa riqueza ainda não chegou às famílias moçambicanas”, afirmou o economista Aldemiro Banze, do Instituto de Estudos Económicos de Maputo.
O Governo reconhece o desafio e anuncia um novo pacote de transferências sociais directas financiado pelas receitas do gás, que deverá beneficiar 500 mil famílias vulneráveis a partir do segundo semestre de 2026.



